

No final de semana anterior ao recente feriado de Corpus Christi estive fazendo uma peripécia "aventuresca" pelo Parque Nacional do Itatiaia na divisa entre Minas e Rio. Nosso verdadeiro rumo seria mais distante no Parque Nacional da Serra dos Órgãos entre Petrópolis e Teresópolis no Rio, mas a possibilidade real de chegarmos na madrugada de segunda-feira seria um problema para o restante da turma. A solução bem vinda e prazerosa foi rumar para o Itatiaia com retorno mais tranqüilo no domingo. Para apimentar nossa "trip trekking" e calibrar os músculos para a temporada de montanha, decidimos emendar no domingo com uma subida ao Pico dos Marins em Piquete-SP.
Chegamos ao parque lá pelas 9h do sábado para cadastro na portaria e decisão de qual trilha iríamos percorrer. Três possibilidades estavam no "menu". Uma trilha cortante pelos capins do vale da Asa de Hermes até a Pedra do Sino, uma via mais técnica por misturar caminhada e bons trechos de escalada fácil (escalaminhada) no Pico das Agulhas Negras (via do Formigueiro) e para pulsar mais forte nosso coração de montanha, a meia travessia longitudinal do Maciço das Agulhas Negras com boa dose de "responsa" pelos trechos de rapel. Com a hora já adiantada a meia travessia acabou sendo descartada e optamos por uma dose extra de emoção na via do Formigueiro. Com um céu de brigadeiro lá fomos nós percorrer o restante da estrada de acesso ao Abrigo Rebouças e encarar os grande blocos de pedras na respectiva via.
Passamos pelo Abrigo Rebouças dominado pelos militares em treinamento e encontro rápido com demais amigos. Começamos verdadeiramente a trilha lá pelas 10h contornando a represa do abrigo e rumando firme aos olhos do Pico das Agulhas Negras com seus 2.792m. A via do Formigueiro segue a mesma linha da via normal do Pontão até chegar na Florestinha com trecho de escalada ou contorno pela direita. Passando este trecho vira se bem a esquerda para adentrar entre os paredões sombreados que te levarão para a chaminé. Este trecho é o mais técnico por ter que vencer grandes blocos de pedras na base da escalaminhada e ter que bancar a formiga na chaminé escura e de pedras soltas que dará acesso ao cume do Formigueiro. Prepare se para ficar "atoladinho" em duas pequenas aberturas por volta de 60 cm de espaço que te levará de volta aos céus. Passando este trecho "cavernoso" você ficará num corredor congelante de grandes pedras para voltar a escalaminhar.
Já ao lado do cume passamos por mais um corredor, só que desta vez de mata cercada por "prédios" de pedras. Deste exato ponto se pode seguir em frente para a meia travessia longitudinal do maciço, passando pelo primeiro trecho de rapel até atingir a Chapada da Lua com seu livro de registro. Como não estávamos com o "equipo" de escalada e corda, seguimos para o cume aonde chegamos tarde lá pelas 14h. Pausa rápida para almoço e fotos. Na volta enfrentamos os mesmos trechos de corredores, pedrões e a chaminé "atoladinha". Estávamos de volta ao ponto da Florestinha no encontro da via de descida do Pontão onde aproveitamos uma corda de outros colegas para fazer um rapel passando pelas costas e braços. Ganhamos um bom tempo neste trecho aonde chegamos no Rebouças lá pelas 17h. Para minha surpresa um verdadeiro barraco estava armado na represa ao lado do abrigo, onde os militares "incentivados" aos berros de mooooooontaaaaaaaanha encaravam a água que horas antes estava parcialmente congelada. Ao passar por eles fui gentilmente convidado com um gesto estendendo os braços e falando "que tal tomar um banho colega?" Tratei de me mandar dali e nem me preocupei em fotografar. Congelei!


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