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Sobe e desce no desconhecido

Foto: Gustavo M. Petean - Pico da Carapuça com seus paredões ao fundo como nosso destino.

Quando topamos em encarar uma travessia pela Serra do Caraça, sabia que existia no livreto do Sergio Beck as opções iniciando e terminando no próprio Santuário, mas não me dando por satisfeito resolvi elevar o grau da pesquisa pela net e encontrei uma opção muito atraente começando na cidade de Catas Altas e terminando no Santuário, num trajeto direto de ida. Só não contava com as mais impressionantes pirambas que já enfrentei em uma peripécia aventuresca. Todo o trajeto era desconhecido para todos e só tomei conhecimento dos desníveis quando topei de cara com o primeiro paredão. Na hora soltei em voz alta, não dá para subir aí não! Antes de irmos tentei contato com os locais da cidade que haviam publicado o relato, mas o silêncio falou alto.

Como estou digitalizando alguns negativos resolvi resgatar algumas fotos desta viagem. Em um grupo bem entrosado e pequeno de 3 malucos e uma maluca, percorremos os mais de 18 km calculados no Google Earth em quatro dias. Com esta distância, terreno desconhecido e grandes desníveis da para se ter uma noção do perrengue. No primeiro dia subimos 900m até a base do Pico do Horizonte ou Agulhinha (1.800m?) para pernoite em uma caverna que encontramos. No segundo dia em um trecho de 1 km, isto mesmo, atravessamos dois vales profundos. No primeiro vale descemos e subimos mais de 300m, tendo o paredão impressionante do Pico do Baiano em algumas centenas de metros a frente e no segundo vale novamente desce e sobe mais de 400m até atingir o Pico do Sol (2.072m). No terceiro dia mais sobe e desce por um paredão de escalaminhada e mais um ingrediente arriscado de pula fenda sem olhar onde termina o fundo. Pernoite em um belo anfiteatro com a lua nascendo no paredão. No último dia mais 300m de subida em 700m de extensão até atingir a base do Pico da Carapuça (1.912m). Para finalizar com chave de ouro uma corrida maluca para sair no "pinote" dos monitores ambientais incrédulos com nossa cara de pau por andar naquelas cristas. Desta vez não nós pegaram, mas em 2008 não deu para escapar do "fichamento" e puxão de orelha. Ate hoje a diretora da reserva se lembra da minha cara quando vou para lá.

"Só o Caraça paga toda a viagem para Minas" (D. Pedro II)

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